transcrição:
#23 Entre sonhos e dragões

Ministério da Cultura e governo do estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas apresentam:
Carol: Alô? Alô?
Vítor: Tem alguém aí?
Carol: Oi! Aqui quem está falando é a Carol!
Vítor: E eu sou o Vítor!
Carol: Nós somos a Cia. Ruído Rosa. E esse é o nosso podcast, o Conta! Conta! Conta!
Vítor: Um podcast pra você abrir seus ouvidos e deixar sua imaginação viajar com as nossas histórias!
Carol: Nessa temporada, a Cia. Ruído Rosa fez parceria com editoras de livros infantis. A cada episódio, contamos nossa história a partir de um livro diferente, sempre com uma menina ou mulher como protagonista.
Vítor: Essa temporada do Conta! Conta! Conta! foi realizada com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Governo Federal, Ministério da Cultura e Lei Paulo Gustavo.
Carol: Esse é o último episódio dessa temporada. E, enquanto não chega uma nova temporada, você pode ouvir nossos episódios mais antigos, comentar o que achou, conversar com a gente pelo Instagram, Spotify, Facebook ou pelo nosso site.
Vítor: Ah, sabe o que é tão importante quanto mandar mensagem pra gente? Dar 5 estrelas no Spotify, favoritar nosso podcast e indicar o Conta! Conta! Conta! pra outras pessoas. São coisas simples que você pode fazer, mas que ajudam bastante nosso podcast a chegar em outras crianças e a continuar existindo depois dessa temporada! Agora se ajeite bem aí e peça silêncio.
Carol: Shhhhiu!
Vítor: Pois está começando… sabe o quê?
Carol: Conta! Conta! Conta!
Carol: E o Conta! Conta! Conta! de hoje começa com uma viagem pelo mundo!
Vítor: Tem certeza? Porque a gente já tem um episódio, lá atrás, sobre uma volta ao mundo!
Carol: Mas hoje nossa viagem tem um destino certo!
Vítor: Legal, pra onde nós vamos?
Carol: Pra um lugar distante…
Vítor: Hã…
Carol: De montanhas gigantes…
Vítor: Hã…
Carol: Lindos lagos azuis…
Vítor: Hã…
Carol: Desertos…
Vítor: Nossa, que lugar é esse? Deve ser lindo!
Carol: É, ele foi… Ele é… Ele…
Vítor: Não tô entendendo, fala logo que lugar é esse!
Carol: É o Afeganistão!
Vítor: …Tem certeza?
Carol: Do quê?
Vítor: De que o Afeganistão é esse lugar que você tá falando?
Carol: Bem, não tenho certeza porque eu nunca pisei lá. Mas foi isso que eu vi no livro Entre Sonhos e Dragões, escrito pela Adriana Carranca e ilustrado pela N. N.
Vítor: O livro foi enviado pra gente pelas nossas amigas da Companhia das Letrinhas, e sei que elas não enviariam pra gente um livro mentiroso. Mas é que eu nunca imaginei o Afeganistão assim.
Carol: Como você imaginava?
Vítor: Bem, pelas coisas que eu já ouvi, eu imaginei um lugar com guerras, muitas guerras… e proibições. Principalmente pras meninas e mulheres!
Carol: Sim, a gente já ouviu bastante sobre essas coisas. Mas já ouviu sobre outra parte dessas histórias? A parte de quem vive ou viveu lá no Afeganistão? A história de meninas e mulheres que vivem, viveram e lutaram por lá?
Vítor: Lutaram? Mas eu pensei que lá as mulheres não podiam lutar!
Carol: Ah, mas quem disse que existe só uma forma de lutar? Hoje, vamos entender que existem muitas formas de lutar como uma garota!
Capítulo 1: Pesadelo
Carol: O Afeganistão fica em um lugar que parece ter sido feito pra se proteger do mundo. Cercado por cordilheiras, montanhas muito altas, tão altas que formam até gelo na ponta, é muito difícil entrar ou sair do país sem ser voando!
Vítor: No vale daquelas montanhas, ao mesmo tempo em que existiam lagos bonitos, bem azuis, existia também um deserto. E, o mais importante, existia um povo com uma cultura muito diferente da nossa.
Carol: Uma cultura com muita música, muita cor…
Vítor: Isso não parece tão diferente da gente!
Carol: Sim, falando assim, não parece. Mas as roupas são diferentes. São roupas com muitos tecidos, lenços. E as músicas são bem diferentes das nossas, com instrumentos bem diferentes. Além disso, a língua também é muito diferente da nossa.
Vítor: Por muito tempo, o Afeganistão realmente parecia isolado do resto do mundo. E pelo que dizem as lendas, era isolado e feliz. Até que… veio a primeira guerra.
Carol: Poxa, eu não queria falar de guerra!
Vítor: Eu entendo, é muito ruim falar sobre guerra. Sempre envolve muita coisa ruim, muita tristeza… mas a gente não tem como ignorar a guerra, ou pior, as guerras na história de hoje.
Carol: Então, a gente vai falar de guerra. Mas vamos falar de outra forma.
Vítor: Como?
Carol: Como se fosse… uma história contada por crianças.
Vítor: Acho que entendi o que você quer dizer! O Afeganistão era um lugar cercado por altas montanhas, com muita dança, música e alegria. Até que um dia…
Carol: O que é aquilo ali?
Vítor: Dragões! Dragões muito grandes, muito fortes, muito ferozes, que começaram a contornar as montanhas que cercavam o país e a cuspir fogo em todas as pessoas que viviam naquele vale!
Carol: As pessoas precisavam reagir! Então, foi tomada uma decisão:
Vítor: Os meninos irão lutar! As meninas ficarão aprisionadas em casa!
Carol: Oi? Essa foi a decisão? Mas cadê o “lute como uma garota”?
Vítor: Shiu, fica quietinha, que agora é hora dos homens lutarem!
Carol: Pois é, foi mais ou menos assim que aconteceu. E, por muito tempo, homens e meninos lutaram contra os dragões. E foi uma luta muito feia.
Vítor: Mas, ao final, os homens e meninos venceram os dragões, que voltaram para além das montanhas!
Carol: Ufa! Então, agora, vamos começar um novo momento de paz e…
Vítor: Então…
Carol: Quê?
Vítor: É que… eles ganharam a guerra! E quando os homens que lutaram e sobreviveram ganharam a guerra, começaram a ser chamados de heróis, de guerreiros sagrados. Eles mesmos se chamavam de guerreiros da liberdade!
Carol: Espera, mas que liberdade era essa na qual as meninas e mulheres ficavam presas dentro de casa?
Vítor: Shiu, fica quietinha, que agora é hora dos homens comemorarem!
Carol: E foi mais ou menos assim que aconteceu. Só que aí os homens que venceram a guerra começaram a guerrear entre si!
Vítor: Eu ganhei!
Carol: Não, eu ganhei!
Vítor: Não, eu ganhei mais!
Carol: Até que um grupo de homens religiosos surgiu, prometendo que, se eles ganhassem, a paz voltaria a reinar naquelas terras! Mas não foi isso que aconteceu. Na verdade, foi totalmente o contrário disso!
Vítor: Esse grupo chegou ao poder e começou a usar da violência contra qualquer pessoa que não quisesse seguir as leis e regras que eles impunham.
Carol: E as meninas?
Vítor: Shiu, fica quietinha, que agora os homens estavam criando as novas leis.
Carol: Foi mais ou menos assim que aconteceu. Nessas novas leis, as meninas não podiam mais estudar…
Vítor: Não podiam mais cantar…
Carol: Não podiam dançar…
Vítor: Não podiam passear…
Carol: Não podiam nem sorrir, nem dar sua opinião…
Vítor: Não podiam nem ser vistas. Elas não podiam nem… nem sonhar!
Carol: Hã-hã, só tinha uma coisa que aqueles homens não sabiam: você não pode proibir ninguém de sonhar!
Capítulo 2: Entre dragões e sonhos
Carol: As meninas eram praticamente proibidas de viverem em seu próprio país. Elas só ficavam em casa e viam o mundo pela janela.
Vítor: Elas ouviam de suas mães, avós e tias sobre como aquele lugar já tinha sido diferente, bonito, feliz.
Carol: Mas agora elas só viam ruínas, destruição, tristeza.
Vítor: Sadaf era uma dessas meninas que via o mundo pela sua janela. E, enquanto via as guerras e tristezas, ela pensava que poderia ajudar. Sadaf gostava muito de brincar de luta, e seu maior sonho era pilotar aviões!
Carol: Se ela pudesse aprender a ler, escrever, estudar pra virar uma pilota, ela tinha certeza que conseguiria voar e usar sua luta pra proteger seu país caso novos dragões resolvessem aparecer por entre as montanhas!
Vítor: Mas só falavam pra ela ficar quietinha, afinal lutas e aviões eram coisas de menino!
Carol: Shamsia era uma outra menina que via o mundo pela janela da sua casa. Ela também poderia ajudar na guerra. Na verdade, ela poderia acabar com a guerra. Pois ela gostava muito de pintar, e seu sonho era cobrir toda a destruição que a guerra causava em seu país com tinta e spray.
Vítor: Mas só falavam pra ela ficar quietinha, afinal pintar e desenhar eram coisas de menino!
Carol: Meena era a terceira menina da nossa história que via e ouvia tudo pela janela. Ela poderia ajudar muito na guerra. Ela gostava muito de música e poderia tocar diversas canções e melodias, tocar bem alto, pra que o som da sua música cobrisse os sons de tiros, gritos e tristeza.
Vítor: Mas só falavam pra ela ficar quietinha, afinal a música era proibida em seu país. E se não fosse, cantar e tocar seriam coisas de menino!
Carol: Pô, que chato tudo isso. Deve ser insuportável ser uma menina num lugar assim! Seria muito melhor se elas fossem meninos!
Vítor: Na verdade, não. As meninas só ficavam em casa. Já os meninos saíam de casa, mas apenas pra fazer uma coisa: aprender a guerrear!
Carol: Mas a guerra já não tinha passado?
Vítor: Tinha, mas… uma nova guerra se aproximava.
Carol: E assim, um belo dia, os dragões começaram a se aproximar das montanhas. Mas agora eram outros dragões.
Vítor: Dragões maiores, mais rápidos, que cuspiam muito mais fogo.
Carol: Um país destruído ficaria ainda mais destruído.
Vítor: Muitas vezes, enquanto Sadaf sonhava em voar e lutar, o barulho de tiros vindos da rua interrompia sua imaginação.
Carol: Enquanto Shamsia pensava em como colorir seu país, bombas brilhavam pela sua janela, deixando o mundo apenas amarelo, laranja e triste.
Vítor: Mesmo tapando os ouvidos, as músicas que Meena tocava em sua cabeça eram interrompidas pelo choro e tristeza vindos das ruas.
Carol: Caramba, Sadaf, Shamsia e Meena viviam uma vida bem difícil, hein?
Vítor: Ô! Imagina, desde o dia em que você nasceu, você quase nunca sair de casa e dizerem que você não pode fazer nada?
Carol: Deve ser horrível. Não sei nem como Sadaf, Shamsia e Meena conseguiam imaginar e sonhar.
Vítor: Elas ficavam em casa com as outras mulheres da família. E, enquanto elas viam aquele mundo violento e proibido, suas mães, avós, tias contavam outras histórias pra elas. Histórias em que as mulheres eram guerreiras, eram rainhas poderosas, princesas que salvavam a si mesmas.
Carol: Mas isso eram só histórias, né?
Vítor: Sim! Mas quem disse que não podemos tornar uma história verdadeira?
Capítulo 3: Entre sonhos e pesadelos
Carol: Uma nova guerra começava naquele país… Será que dessa vez as meninas poderiam fazer alguma coisa além de ficarem trancadas em casa?
Vítor: Ahã, claro, isso, podem fazer alguma coisa… tanto faz!
Carol: Acontece que, com aquela nova guerra, a situação no país ficou diferente. Os homens que tinham proibido tudo tinham sido tirados do poder.
Vítor: A situação ainda era muito ruim pras meninas e mulheres. Mas os homens estavam tão ocupados com bombas, tiros e mortes, que nem lembravam de mandar as meninas ficarem quietinhas.
Carol: Aquelas meninas estavam cansadas de ficarem quietinhas e aproveitaram o momento pra mudarem suas vidas.
Vítor: Sadaf tinha um par de luvas de boxe que ela escondia bem escondidinhas em um armário velho. Ela tirou as luvas de boxe do armário, vestiu, ergueu seus punhos e saiu de casa pra dar golpes em qualquer dragão que viesse na sua direção.
Carol: Mas ela sabia que melhor do que lutar sozinha era lutar em grupo. Então, ela viu, entre os vales de uma das tantas montanhas, um avião velho abandonado…
Vítor: Como só é permitido pra gente em sonhos e na nossa imaginação, Sadaf conseguia fazer o que quisesse. Ela sentou no avião e, como se tivesse nascido pra fazer aquilo, ela saiu pilotando pelos ares!
Carol: Sadaf foi se aproximando da casa de Shamsia, que, ao ouvir um barulho de motor, olhou pro céu e se espantou com o que via: Sadaf, uma menina, pilotava o avião!
Vítor: Então, Shamsia já sabia o que deveria fazer!
Carol: Ela foi até sua gaveta secreta, pegou pincel, tinta, lata de spray e embarcou no avião, junto com Sadaf!
Vítor: Sadaf pilotava enquanto Shamsia ia desenhando novos telhados pras casas destruídas. Ela foi pintando escolas onde só existiam ruínas.
Carol: Ela aproveitou pra desenhar e pintar umas praças, uns parques. Começou a desenhar várias meninas e mulheres como heroínas, contando suas histórias.
Vítor: E foi assim que elas fizeram a terceira parada, perto da casa de Meena. Meena teve um trabalhão pra arrastar seu violoncelo até o pequeno avião, mas conseguiu.
Carol: Meena não só saiu tocando por aí, como deu um jeito de levar vários instrumentos pra todos os lugares. Tinha muita gente em seu país que sabia e gostava de tocar música, só faltavam os instrumentos pra fazer isso!
Vítor: Naquele pequeno avião, lutando boxe, pintando ou tocando, aquelas três meninas mudaram sua realidade!
Carol: Elas venceram a guerra?
Vítor: Na verdade, ninguém vence uma guerra… Uma hora a guerra acaba, mas, entre tanta violência, morte e tristeza, todo mundo sempre perde em uma guerra!
Carol: Mas essas meninas lutaram como garotas, com as armas que tinham! Até que a guerra acabou…
Vítor: Ué, e por que você falou isso desse jeito? Não foi bom a guerra acabar?
Carol: Foi, claro. Mas adivinha quem voltou ao poder? Os homens que proibiam as meninas de fazerem tudo!
Vítor: O problema é que é muito difícil você fazer um pássaro que aprendeu a ser livre voltar pra uma gaiola triste e apertada.
Carol: Sadaf, Shamsia e Meena não iriam mais ficar em suas casas, sem poder lutar boxe, pintar ou tocar.
Vítor: Mas essa era a regra! Se elas quisessem viver naquele país, elas teriam que ficar trancadas em casa. Ou…
Carol: Ou elas teriam que sair de casa. E foi isso o que fizeram.
Vítor: Sadaf pegou suas luvas de boxe e andou, andou, andou para além das cordilheiras.
Carol: Shamsia saiu com seus pincéis e se escondeu em um lugar que ficava do outro lado das montanhas.
Vítor: Meena pegou seu pesado violoncelo e saiu de casa, sabendo que teria que tocar sozinha suas melodias por aí.
Capítulo 4: Vivendo os sonhos
Carol: Sadaf, Shamsia e Meena tiveram que ir embora de casa pra poderem fazer o que elas sabiam e amavam.
Vítor: Elas foram viver em outros países, em outras culturas, com outras pessoas que não eram das suas famílias.
Carol: Por causa das guerras e dos homens que estavam no poder, elas tiveram que sair de seu país. Mas nunca deixaram que o país saísse delas. Elas levaram pro mundo a sua cultura, a sua música, as outras histórias da sua terra.
Vítor: Pra mostrar que o Afeganistão não é feito apenas de tristeza, destruição e proibição.
Carol: Assim como qualquer país no mundo, o país delas é feito de pessoas. Pessoas com diferentes sonhos, desejos e crenças.
Vítor: Pessoas que se acham no direito de proibir as outras de viver, estudar, ser feliz e sonhar.
Carol: E pessoas que, apesar disso, continuarão vivendo, resistindo, lutando e sonhando!
Vítor: Como Sadaf, Shamsia e Meena, as personagens do livro Entre Sonhos e Dragões, escrito pela Adriana Carranca, ilustrado pela N. N. e enviado pra gente pelas nossas amigas da Companhia das Letrinhas.
Carol: Ah, bonita a história de hoje… mas é só uma história, né?
Vítor: Como assim, é só uma história?
Carol: Ah, é uma história. O que isso muda no mundo real?
Vítor: Muda muita coisa! Lembra, é a partir das histórias que a gente conhece novos mundos e aprendemos, entendemos que podemos sonhar, viver, realizar coisas que nunca imaginamos!
Carol: Mas isso dá certo mesmo? No final das contas, a gente não vai só ouvir a história, nos divertir um pouco, até sonhar, mas no fim do dia tudo vai continuar igual?
Vítor: Isso pode acontecer, realmente. Mas nem sempre! Foi assim com Sadaf, Shamsia e Meena!
Carol: Mas isso é só uma história.
Vítor: Sim, é uma história. Mas é baseada no mundo real! Sadaf, Shamsia e Meena realmente existem! Sadaf foi uma das alunas da primeira turma de boxe do Afeganistão! Ela lutava, mas tentava manter tudo em segredo: suas luvas, seu uniforme.
Carol: Só que Sadaf lutava tão bem que o segredo dela não durou muito tempo: ela começou a se destacar e, por isso, começou a sofrer ameaças.
Vítor: Mandaram ela ficar quietinha em casa, mas ela não obedeceu. Em 2012, ela até foi convidada pras Olimpíadas, mas o convite teve que ser retirado pra proteger a vida de Sadaf.
Carol: Então, em 2016, ela foi convidada pra sair do Afeganistão pra fazer um documentário sobre boxe. Ela saiu… e nunca mais voltou pra lá. Vivendo em outro país, ela não consegue mais lutar com as luvas de boxe. Mas luta todos os dias pra que todo mundo saiba que as meninas e mulheres afegãs podem e devem fazer muitas coisas além de ficarem quietinhas em casa!
Vítor: Já Shamsia fez faculdade no Afeganistão e se tornou professora de artes. Por algum tempo, ela deixou seus grafites por várias paredes e muros do Afeganistão, virando uma inspiração pra várias outras meninas afegãs.
Carol: Em 2021, quando aqueles homens que mandavam as mulheres ficarem quietinhas em casa voltaram ao poder, Shamsia estava fora do país. E foi proibida de voltar. Os homens no poder apagaram todas as pinturas de Shamsia de todos os muros e paredes.
Vítor: Mas eles nunca poderão apagar Shamsia da cabeça e dos sonhos de tantas outras meninas afegãs.
Carol: A Meena era uma criança que vivia cantando pela casa e, por sugestão da sua irmã, fez uma escola de música no Afeganistão. O pai da Meena não gostava muito da ideia, mas a mãe dela insistiu, e assim Meena aprendeu muita coisa sobre música.
Vítor: Até descobrir o violoncelo, sua verdadeira paixão. Ela começou a participar da orquestra de música do Afeganistão, mas em segredo. Até que, um dia, a orquestra e Meena apareceram na TV!
Carol: Muitas pessoas começaram a perseguir Meena e sua família, pois consideravam que música era algo ruim. Meena entendeu que, pra continuar tocando, teria que sair do seu país. E assim, escondida e sozinha, pegou seu violoncelo, atravessou as montanhas e foi fazer uma faculdade de música bem, bem longe da sua casa.
Vítor: Caramba, por quantas coisas essas meninas, hoje mulheres, passaram, hein?
Carol: Pois é! Todas elas conseguiram viver, por alguns anos, em um país diferente do de suas mães. Elas puderam fazer outras coisas, estudar, viver, sair nas ruas… Por pouco tempo, escondidas, com muita ameaça, mas puderam.
Vítor: As mães delas lutaram pra que elas pudessem ter uma vida diferente. E as histórias, lendas e sonhos fizeram essas meninas acreditarem que poderiam fazer outras coisas.
Carol: Por isso, essa é a última história dessa temporada do Conta! Conta! Conta! Uma temporada feita apenas com histórias protagonizadas por meninas ou mulheres.
Vítor: Nessa temporada, contamos diferentes histórias, com diversas personagens e sonhos.
Carol: Porque é fundamental que a gente sempre lembre que o mundo é muito grande e muito diverso. E que talvez a gente encontre muitas pessoas por aí que digam que não podemos fazer alguma coisa. E que até proíbam a gente de ser do nosso jeito.
Vítor: Mas ninguém pode prender a nossa imaginação. E aí, quer continuar imaginando, se divertindo, ouvindo histórias e conhecendo outros mundos com a gente?
Carol: Então, presta atenção nos recadinhos finais que a gente explica como faz!
Carol: E chegamos ao fim da história de hoje! E ao fim da nossa temporada!
Vítor: Mas não é o fim do Conta! Conta! Conta!
Carol: Não?
Vítor: Não! O nosso podcast continua por aí! Você pode ouvir outras histórias nos nossos episódios anteriores, pode ouvir de novo uma história que gostou mais… quantas vezes quiser! E sabe como encontrar nosso podcast?
Carol: É fácil! Todos os episódios do Conta! Conta! Conta! estão disponíveis no Spotify, nos principais aplicativos de podcast e no nosso site, ciaruidorosa.com
Vítor: Depois, que tal mandar uma mensagem pra gente?
Carol: Isso também é fácil! Você pode escrever pelo Instagram, o @ciaruidorosa, pelo Spotify, pela página Cia. Ruído Rosa no Facebook, e também pelo nosso site.
Vítor: Se você entrar no nosso site, Instagram ou Facebook, vai descobrir que, além do podcast, a Cia. Ruído Rosa faz um monte de coisas pro público infantil: espetáculos, contações de histórias, livros...
Carol: Já estamos terminando, então não esqueça: conhece alguma outra criança ou mesmo uma pessoa adulta que gosta de história? Então, fala do nosso podcast pra ela! E não esqueça de favoritar nosso podcast e dar cinco estrelas!
Vítor: Ufa, agora sim, chegamos ao final do episódio de hoje e ao final da nossa temporada!
Carol: Eu sou a Carol.
Vítor: E eu sou o Vítor.
Carol: E nós somos a Cia. Ruído Rosa!
Vítor: Quer ouvir mais histórias? Não tem problema, é só clicar que a gente...
Carol: Conta! Conta! Conta!
Texto e atuação: Anna Carolina Longano
Edição e atuação: Vítor Freire
Desenho: Lauro Freire
Design: Lygia Pecora
Divulgação: Luciana Fuoco
Legendagem: Marcela Ferros
Produção: Cia. Ruído Rosa
Gravado no Depois do Fim do Mundo Estúdio.
Esta temporada faz parte do projeto A Heroína da História, realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Governo Federal, Ministério da Cultura e Lei Paulo Gustavo.
Muito obrigada por ouvir até aqui e até o próximo episódio!
Tudo vira CULTSP. Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, São Paulo Governo do Estado. São Paulo São Todos. Realização: Lei Paulo Gustavo. Ministério da Cultura. Governo Federal. Brasil: União e Reconstrução.